Fado, que significa “destino”, é o
género musical que evoca o espírito português geralmente composto por uma
pessoa (fadista) e acompanhado por uma guitarra portuguesa, essencialmente
caracterizado por letras dolentes e melancólicas leva-nos a descrevê-lo como
uma espécie de lamento.
Origem
Nascido nos contextos populares da
Lisboa oitocentista, o Fado manifestava-se de forma espontânea e muitas vezes
encontrava-se presente em momentos de lazer. Daí a origem do fado do marinheiro
que era o único conhecido na época que levou ao surgimento de fadistas que se
destacavam com os seus trajes e atitudes.
“Fado do marinheiro
Perdido lá no mar alto
Um pobre navio andava;
Já sem bolacha e sem rumo
A fome a todos matava.
Um pobre navio andava;
Já sem bolacha e sem rumo
A fome a todos matava.
Deitaram a todos as sortes
A ver qual d'eles havia
Ser pelos outros matado
P´ró jantar daquele dia
A ver qual d'eles havia
Ser pelos outros matado
P´ró jantar daquele dia
Caiu a sorte maldita
No melhor moço que havia;
Ai como o triste chorava
Rezando à Virgem Maria.
No melhor moço que havia;
Ai como o triste chorava
Rezando à Virgem Maria.
Mas de
repente o gageiro,
Vendo terra pela prôa,
Grita alegre pela gávea:
Terras, terras de Lisboa.”
Vendo terra pela prôa,
Grita alegre pela gávea:
Terras, terras de Lisboa.”
Devido a teorias diversas, não há
provas exatas da sua origem. Uns acreditam que a sua origem remete para o
cântico dos Mouros após a conquista de Cristã, outros defendem que provém de
ritmos afro-brasileiros.
O Fado e os
meios de comunicação
O Fado aperfeiçoa-se com a
estabilização formal da forma poética da “décima” e fica reconhecido a partir
da década de 30 para o público através do teatro e da rádio, permitindo a
vários artistas divulgarem o seu talento. Em consequência, surgem as Casas de
Fado e com elas o lançamento do artista de fado profissional. Para se poder cantar
nestas Casas era necessário ter carteira profissional e um repertório visado
pela Comissão de Censura, bem como um estilo próprio e boa aparência.
A principal temática do Fado é o
amor, principalmente não correspondido, mas existem muitos fados dedicados a
outros temas. Os fadistas costumam envergar um traje negro e cantar diante da
audiência com os músicos por detrás. Quando os fadistas cantam, a sala escurece
e faz-se silêncio.
O Fado Vadio
Há também um outro lado do fado que
não o dos espetáculos profissionais, na maioria organizados por restaurantes
dedicados ao fado. O Fado vadio é um termo usado para descrever um fado cantado
mais para exprimir emoções do que para fins comerciais. Na maioria é cantado
por amadores, mas também pode-se escutar um profissional a cantar nas suas
horas vagas. A primeira cantadeira de fado de que se tem conhecimento foi Maria
Severa Onofriana, que cantava e tocava guitarra nas ruas da Mouraria.
Maria
Severa Onofriana
Não se tratava de uma competição nem karaoke, mas sim de um desejo sincero de evocar, exprimir e partilhar emoções. As tascas e os bares de Alfama são onde é mais provável escutar-se o fado vadio.
Fado: património imaterial da humanidade
No dia 27 de Novembro de 2011, o
Fado foi considerado Património Imaterial da Humanidade graças a candidatura de
24 delegados da UNESCO. Isto é um grande passo para Portugal e contribui
essencialmente para que a música tradicional portuguesa, particularmente o Fado,
possa ser promovido a nível mundial. Grandes nomes, como o de Amália Rodrigues
ou Carlos do Carmo, foram referidos, foram feitos tributos por vários artistas.
"O património cultural
imaterial, transmitido de geração em geração, é permanentemente recriado pelas
comunidades e grupos em função do seu meio, da sua interacção com a natureza e
a sua história, proporcionando-lhes um sentimento de identidade e de
continuidade, contribuindo assim para promover o respeito pela diversidade
cultural e a criatividade humana."
Convenção para a Salvaguarda do
Património Imaterial da Humanidade, UNESCO, 2003 (Artº 2, alínea 1)
Fontes/Webgrafia:
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